Velocidade no Futebol

Velocidade no Futebol

Artigo publicado no site da Universidade do Futebol em 24/12/2009.

http://www.universidadedofutebol.com.br/Artigo/4422/Velocidade-no-futebol

Além da velocidade de movimentos, é essencial que o atleta tenha inteligência de jogo

Autor: Prof. Francisco Adolfo Ferreira (Chico)
Treinamento de velocidade e força, controle do volume através da distância percorrida (GPS), controle da intensidade através da freqüência cardíaca (monitores de FC) e medição dos parâmetros bioquímicos do sangue como forma de prevenção/preservação da integridade física dos atletas (Ck)… Estas são as grandes ideias em voga no treinamento do futebol atual.

Uma questão, porém permanece: o que é a velocidade no futebol? Basta ter jogadores com grande velocidade cíclica como um velocista olímpico? Alguém se lembra de Ben Johnson? O canadense que, tempos após ter sido banido por doping em Seul 88, resolveu tentar a sorte como jogador de futebol. Não teve sucesso.

Assim como a música que diz: “É preciso saber viver!”, no futebol, é preciso, antes de qualquer coisa, saber jogar!

Fui testemunha ocular da grande fase do Alex no Cruzeiro, em 2003. A diretoria, a imprensa e a torcida não o queriam. Alguns, maldosamente, o chamavam de “Alexotan”.

Luxemburgo, então, resolveu bancá-lo e garantiu à diretoria que, com ele, Alex jogaria e muito!

Alex é o tipo de jogador que, devido a sua imensa inteligência e técnica, aliadas a uma privilegiada visão de jogo, consegue imprimir um ritmo de jogo muito veloz, embora não seja um velocista. Com um percentual de gordura corporal que nunca tivera antes, em torno de 8% a 9%, motivado pelo excelente elenco, pela estrutura do clube, pelo grande treinador e pela vontade de dar a volta por cima após os inúmeros problemas de sua transferência para o Parma, conseguimos fazer de Alex um atleta mais rápido, mais ágil, com possibilidade de alcançar maior altura e maior distância em saltos verticais e horizontais e, finalmente, com maior probabilidade de manter o fôlego até o fim das partidas. Tudo isso porque, além de bem condicionado fisicamente, estava carregando um menor peso extra e inútil de gordura corporal.

Jogadores como Alex, não perdem tempo para dominar a bola dando um, dois, ou até três toques antes de dar sequência a uma jogada. Não raras vezes, com apenas um toque, ou até mesmo com um drible de corpo, um corta-luz, a bola chega aonde ele quer e o jogo flui. Tostão, o genial meia do Cruzeiro e da seleção de 1970, talvez o atleta de futebol mais inteligente que já tenha pisado nos gramados de futebol, era um verdadeiro mestre nessas esquivas. Daí dizer-se que ele jogava (também) sem a bola.

Considero que a velocidade de movimentos é importante, mas que é preciso saber jogar… Não resta a menor dúvida! E aí entra a velocidade de percepção, detecção, processamento, tomada de decisão e execução da resposta à situação-problema daquele instante do jogo. É a inteligência de jogo! A percepção, leitura e antevisão das situações momentâneas de jogo, antes mesmo da bola chegar aos seus pés, para a tomada da decisão e a execução desta decisão através de seus recursos técnicos. Envolve visão periférica, posicionamento corporal e comunicação não verbal com seus companheiros. O atleta que possui uma profunda compreensão tática e do jogo.

Esta é a velocidade que importa e a chave para a prática do futebol de alto rendimento moderno!

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