O FUTURO DO FUTEBOL – “Case Xavi”

O FUTURO DO FUTEBOL – “Case Xavi”

A realidade atual do futebol brasileiro é a de um momento crucial de transição. Uma encruzilhada onde se escolhe entre o velho e o novo, o arcaico e o moderno! Enquanto a modernização efetiva e revolucionária do modelo e estrutura de gestão macro do futebol brasileiro (CBF, Globo, Federações…) não se processa de modo satisfatório, com estes players relutando em abrir mão de seu status de poder quase absoluto, temos por outro lado: Uma nova geração de treinadores com melhor formação acadêmica e adeptos de metodologias de treinamento mais modernas; Um maior investimento nas categorias de base; O uso de novas tecnologias em treinamento, monitoramento, prevenção, recuperação e reabilitação; A valorização da análise de desempenho, das estatísticas e bancos de dados, incursão em novas áreas de estudo… Ou seja, trata-se de um processo que pode ser em alguns casos de curto prazo, outros de médio prazo… Parado é que não dá pra ficar, pois as mudanças estão acontecendo em maior ou menor velocidade, independente de nossas vontades.

Leia este post do agente Luiz Rocha http (//luizrocha.me/): “Há alguns anos, tive o privilégio de aprender sobre um futebol que era invisível aos meus olhos. Um jogo que também ocorria sem a bola e que a maioria dos atletas de futebol do Brasil, infelizmente, não sabe jogar. A minha primeira grande lição foi sobre a “Percepção Visual” no futebol, que pode ser definida como a capacidade de um atleta de futebol observar, no decorrer de uma partida, o seu entorno. Foi interessante avaliar que muitos atletas de futebol somente tomam a decisão do que irão fazer – de como continuar uma jogada – após receberem a bola. No entanto, há um jogo invisível, que ocorre nos noventa minutos de uma partida. Esse jogo é incrivelmente intenso e se fosse jogado, levaria a um grande “desgaste” mental e a um menor desgaste físico. Perceber visualmente o entorno pode ajudar o atleta de futebol a se posicionar em melhores condições para receber a bola e também auxiliá-lo nas tomadas de decisão, subsequentes ao recebimento da bola. Aprendi que as possibilidades sobre o que fazer no caso de receber a bola, já deveriam estar “mentalmente listadas” pelo atleta de futebol, antes mesmo de receber a bola. Veja o vídeo abaixo e atente para quantas vezes o Xavi Hernandez gira a cabeça, durante uma partida, a fim de perceber o seu entorno, se posicionar melhor e tomar decisões antes mesmo de receber a bola.”: https://www.youtube.com/watch?v=uNf6_OGsRwk

Isto posto, insisto que o investimento efetivo para se criar uma estrutura de excelência na base seja o caminho das pedras para o crescimento dos clubes no médio e longo prazo e para isto, há muito ainda a ser feito no Brasil. Como citado acima, o exemplo do espanhol Xavi, ex-Barcelona e hoje atuando no futebol do Qatar, considerado o meia mais talentoso da história do futebol da Espanha. Sua extraordinária visão de jogo, aliada a uma técnica apuradíssima, incrível precisão nos passes, perfeita visão/leitura do jogo e antevisão das jogadas, foram lapidadas desde as categorias de base. Xavi joga olhando o tempo todo para os lados e para trás para se situar dentro de campo em relação à bola, aos seus companheiros e aos seus adversários. Ele faz isso mais de 800 vezes durante uma partida! Ele toma as decisões sobre o que vai fazer antes da bola chegar aos seus pés. Ele sabe se posicionar com o corpo de modo adequado para receber a bola e em posição equidistante em relação aos múltiplos adversários que o cercam (isto se chama intervalo de jogo), exemplificando perfeitamente os conceitos CDE/F (Comunicação + Decisão + Execução como componentes do Futebol Fitness) da “Hierarquia do Futebol” e de PMDV (Posição + Momento + Direção + Velocidade) na execução das ações do futebol preconizados pela teoria da Periodização no Futebol de Raymond Vrheijen, fazendo assim com seja mais difícil para os adversários tomarem-lhe a bola e ainda facilitando-lhe dar sequencia às jogadas… O britânico Frank Lampard foi outro jogador moderno com estas características. Ok, mas aonde quero chegar com isso? Simples: Ao fato de que aqui no Brasil, ninguém trabalha isso na formação dos atletas! Comparando o futebol europeu com o brasileiro de hoje, basta olhar: 1) Os gols que os times brasileiros tomam um após o outro por terem seus jogadores olhando sempre e somente para a bola… Eles “marcam” a bola enquanto os adversários penetram livres em suas costas para dar sequência ou concluir as jogadas; 2) O número absurdo de bolas passadas na fogueira pelos nossos jogadores; 3) A visível deficiência de só decidirem o que fazer depois que a bola lhes chega aos pés; 4) A grande defasagem tática de nossos atletas no que diz respeito ao jogo coletivo.

Assim, mostram-se bastante pertinentes os dizeres de Peter Bosz, ex-treinador do Ajax, atualmente no Borussia Dortmund: “Jogadores inteligentes se antecipam. Jogadores menos inteligentes reagem. Se você pensa/percebe mais rápido, você faz o seu jogo também ser mais fluido/rápido!”.

Continuando, bato de frente também com alguns conceitos e ações muito comuns: Vejam o tamanho de Xavi, de Messi, de Maradona, de Juninho Paulista e tantos outros! Saber jogar é o que importa! Analisar o potencial técnico e de inteligência/tomada de decisão do atleta e não o seu desempenho de momento, muitas vezes baseado apenas no físico, na maturação biológica, na estatura.

A base hoje é tudo e deveria ser trabalhada de maneira realmente integrada junto aos profissionais para que, também no curto prazo, frutos possam ser colhidos de modo mais efetivo. Precisamos chamar a atenção dos gestores do futebol brasileiro para a necessidade de se investir na capacitação de nossos treinadores para que estes possam ser capazes de, usando metodologias adequadas, formar uma nova geração de atletas rápidos, técnicos e inteligentes que possuam uma profunda compreensão tática e da complexidade do jogo desde a base.

Mobilidade constante; interação intensa; percepção/leitura do jogo; insights de jogo; tomada de decisão; consciência corporal; comunicação não verbal; posse de bola;  linhas próximas; proposição do jogo; erro zero; autonomia/individualismo responsável; “futebol apoiado”; “intervalo de jogo”; triangulações; jogar e não deixar jogar; pressão na bola do adversário; pressão no bloco alto; marcação zonal; zagueiros técnicos; goleiro líbero; meias volantes; respeito à hierarquia “1) Comunicação; 2) Percepção/Entendimento do jogo + Tomada de decisão; 3) Execução da Decisão = executar o que foi decidido através da Técnica; 4) Condicionamento Físico específico para o futebol (Futebol Fitness)”; “Football Braining“… Enfim, saber/estar apto a jogar dentro das exigências múltiplas sob a crescente pressão de tempo e espaço do jogo moderno! Esta é a minha concepção sobre o futuro do futebol!

 

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